0
0
0
0
0

Síndrome Miofascial: principal causa de dor crônica

A dor miofascial é a principal e mais frequente síndrome dolorosa musculoesquelética crônica localizada, na prática clínica. Ela se caracteriza por um conjunto de sinais e sintomas que causam dor localizada, aumento da sensibilidade muscular, e redução da amplitude dos movimentos. A dor pode ser aguda ou crônica, focal ou difusa. Pode afetar mais de 95% dos portadores de dor crônica e tem sido apontada como a principal causa de dor em aproximadamente 85% dos pacientes atendidos em clínicas de dor. A dor musculoesquelética por uso excessivo do aparelho locomotor acomete 33% dos adultos e, é responsável por 29% do absenteísmo ( falta no trabalho) entre todas a doenças.

Várias são as hipóteses propostas para explicar a mesma. A mais recente refere-se a uma “crise de energia” da fibra muscular, caracterizada por despolarização contínua da placa motora (estrutura que liga o ramo do neurônio à fibra muscular). Nesta hipótese um trauma ou um simples estiramento muscular, permitiria uma entrada maciça de cálcio nos sarcômeros (unidade funcional de contração do músculo), o que provocaria uma contração intensa e sustentada das fibras musculares. Esta atividade muscular contínua, implica em maior aporte energético; ao mesmo tempo ocorre diminuição no aporte sanguíneo ao músculo, por compressão dos vasos em seu interior durante a sua contração. O aumento da demanda associado à diminuição da oferta de energia promove uma “ crise energética” nos pontos de gatilho, assim explicando a dor.

Muitos fatores têm sido propostos para o desencadeamento e persistência da dor nos pontos de gatilho, como anormalidades anatômicas, diferentes hábitos posturais, atividades vocacionais que causam sobrecarga excessiva em um determinado músculo, tendão, ou ligamento, disfunção endócrina, estressores psicológicos, distúrbios do sono e sedentarismo.

Estas dores estão presentes com maior frequência na cabeça, pescoço, ombros, braços, pernas e região lombar e glútea entre outras, podendo, entretanto, acometer qualquer grupo muscular (figura1).

doenças reumáticas: Miofascial,

Figura 1 – Regiões frequentes de trigger points e dor referida

A dor miofascial pode também, promover uma restrição dolorosa a amplitude de movimento, rigidez, fadiga muscular e fraqueza subjetiva e não estar correlacionada com disfunção articular. Os músculos quando alongados provocam dor, o que muitas vezes, obriga o paciente a assumir posturas viciosas e contraturas prolongadas, o que permite o surgimento de novos pontos de gatilhos. Outros sintomas associados podem ocorrer: parestesias (formigamentos), alterações funcionais gastrointestinais ( constipação ou diarreia) e o dermografismo ( escrever/riscar na pela com uma ponteira/unhas) entre outros.

Os fatores mecânicos como hábitos posturais errôneos contribuem para o desenvolvimento de dor miofascial por causarem sobrecarga excessiva em grupos musculares específicos, sendo que a musculatura da coluna lombar é a mais comumente envolvida.

Os critérios diagnósticos mais utilizados, tanto na prática clínica como em pesquisa são os critérios proposto por Travell e Simons:

Critérios diagnósticos de dor miofascial proposto por Travell e Simons:

  1. Ponto sensível a palpação em uma faixa muscular tensa (trigger point)
  2. Padrão de dor referida
  3. Reconhecimento de dor pelo paciente a palpação do ponto doloroso
  4. Amplitude de movimento limitada
  5. Resposta de Contratura local

 
Leia mais: Miofascial